quinta-feira

Falta de amor próprio é uma das causas da obesidade


Segundo a Organização Mundial de Saúde a obesidade é uma doença e deve ser tratada com a seriedade que merece. A psicossomática entende que uma doença é reflexo de um conflito interno, relacionado com  as emoções, que por algum motivo, consciente ou inconscientemente, foi reprimido com o intuito de evitar alguma dor.

A briga com a balança pela expectativa de ver o peso mais baixo, na verdade, reflete uma briga interna, muito mais profunda do que se imagina, mesmo que isso já dure muitos anos. Isso nos mostra a necessidade de se entrar em contato com conteúdos internos e não a busca por soluções externas, imediatas, superficiais e paliativas. Eu tinha uma cliente que, toda vez que iniciava uma dieta, ficava imensamente ansiosa para ter resultados imediatos; ao mesmo tempo, existia um conflito interno (que, claro, ela não tinha conhecimento) para não se livrar do excesso de peso que a "protegia e consolava" no passado, e seu interior, por autoproteção e por não entender ainda que não precisava mais da proteção da gordura, não a permitia emagrecer. Na verdade, ela queria sair para o seu futuro de ter um corpo bonito, mas se sentia ainda amarrada ao passado de mágoas. Este cabo de guerra a impedia de emagrecer e ainda desencadeava dolorosos processos de fístulas anais, em função da ansiedade que sentia para mudar logo de vida. Bastava desistir da dieta e seus problemas com fístulas anais desapareciam.

Podemos perceber que muitas pessoas adoecem pela falta de amor próprio e em conseqüência, desejam desesperadamente o amor dos outros como forma de compensar a falta de amor por si mesma. Como nem sempre conseguem suprir essa necessidade, sentem um vazio enorme dentro de si, o qual buscam preencher com comida. 

Ao sentir um vazio do qual não é identificada a causa, a busca pode ser através da comida, mas como esse vazio não é de comida, mas geralmente a necessidade é de amor, o vazio permanece e a busca pela comida aumenta cada vez mais, pois não é suprida a necessidade de amor. Ninguém se sente mais amada comendo mais. Surge então a doença. Mas com qual finalidade? Para nos mostrar que algo não está bem dentro de nós, mas que infelizmente muitas pessoas acreditam no contrário, ou seja, acreditam que a causa de sua infelicidade seja o excesso de peso, não aceitando que o excesso de peso é só um sinal de algum outro conflito, talvez um pouco mais profundo e difícil de ser identificado, mas não impossível.

Como nossa mente é muito sábia, está sempre em busca de equilíbrio, e essa busca pode ser através da compensação. É como se nosso inconsciente pensasse assim: “Se não consigo preencher esse vazio com nada, buscarei preencher com comida”. Mas por que comida? Não é só com comida, outras pessoas buscam preencher com drogas, álcool; outras com dinheiro, poder, trabalho, cada um tem sua própria fórmula, muitas vezes secreta para si mesma.

Quando adoecemos devemos perceber como um sinal de que devemos olhar profundamente para dentro de nós mesmos para encontrar a respostas que tanto buscamos. Na ânsia por uma fórmula mágica, começa a busca por remédios, spas, qualquer coisa que faça acreditar que ainda é possível emagrecer. Mas ainda assim, fazendo de tudo, não consegue, e soma-se mais frustração. Para diminuir essa frustração, come mais um pouco. Percebe como se torna rapidamente uma bola de neve sem fim?

Isso acontece quando se busca resolver por meios externos o que deve ser resolvido dentro de si. Claro que nem sempre é fácil identificar e reconhecer as possíveis causas para o desenvolvimento da doença. Requer uma análise profunda do histórico de vida.

Quantos de nós, ainda crianças, aprendemos que comida é sinônimo de amor? E depois, quando adultos, relacionamos sem perceber, o ato de comer como compensação pelo amor que não recebemos nem dos outros e muito menos de nós mesmos. É muito difícil conseguir amar a nós mesmos quando dependemos da opinião das outras pessoas, do que pensam de nós, colocando nosso referencial de valor no externo.

As pessoas em geral são críticas, perfeccionistas, exigentes, controladoras, invejosas, manipuladoras. Como podemos esperar sermos aprovados e aceitos diante de características tão severas? É justo agir de forma tão drástica com quem no fundo só quer um pouco de amor? É, estamos falando de sua relação consigo mesmo. Há quanto tempo você não se faz um elogio? Não reconhece sua capacidade? Não se sente capaz de ir em frente, apesar dos obstáculos? Há quanto tempo não se olha no espelho sem se criticar? Talvez há muito tempo... Não está na hora de se aceitar mais e se sentir capaz de mudar o que deseja? Será que sua maior dificuldade é eliminar peso ou será que há outras questões, quem sabe muito antigas e que você reprimiu e faz questão de esquecer?

Olhe sem medo para seu passado, sua vida. O que será que ficou mal resolvido ou fez com que se sentisse rejeitado, abandonado, sem valor, sentindo que não merece sequer receber amor? Já pensou que sua vontade de comer mais e mais não pode ser para preencher algo que a comida não irá preencher? O que a comida poderá estar compensando? Isso só você mesmo pode responder. Reflita, analise, busque as respostas, quem sabe perceberá que o amor próprio pode ser a fórmula que tanto procura para eliminar seu peso. Conheça-se profundamente. Você não pode mudar o que não conhece.


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2 comentários :

  1. Muito, muito interessante esta questão de se relacionar a falta de auto estima com a obesidade. aliás julgo que é um principio válido para quase todas as doenças, já que qualquer que seja a doença, antes de revelar no corpo físico já se instalou no corpo emocional. Ou seja, a maior parte das doenças são psicossomáticas... O que não faz uma mente doente... O difícil neste processo todo é conseguir que as pessoas reconheçam, aceitem e percebam que há algo a mudar nas suas vidas se realmente querem melhorar o seu estado de saúde e superar determinada doença. Querida amiga parabéns por publicar este artigo de interesse geral e até pedagógico e educacional, pelo menos, a nível da inteligência emocional.
    Beijinhos saudáveis! ISA

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  2. Oi Isa! Julgo que tratar uma disfunção física sem investigar e tratar suas raízes emocionais é o mesmo que ver um filme sem ter acesso ao seu áudio: fica incompleto, não é totalmente entendido e o resultado fica aquém do esperado. A linguagem do corpo,sem dúvida, é uma das formas mais fáceis de fazermos uma autoanálise. Vou postar outros artigos relacionados com a linguagem do corpo. Espero que possam ajudar àqueles que estão em busca do autoconhecimento.
    Bjs e obrigada pela visita!

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