sexta-feira

Meus relacionamentos nunca dão certo... Por que será?


Ontem eu estava mais inclinada a escrever e postei o artigo sobre os aspectos violentos da síndrome do dedinho podre, ou a tendência de sempre se relacionar com parceiros que não são nem um pouco emocionalmente saudáveis (Porque algumas pessoas não têm sorte no amor?).  Como não existem coincidências, hoje “sem querer” eu achei um texto muito bom da terapeuta Thaís Petroff no site Vya Estelar (http://www2.uol.com.br/vyaestelar/tcc_artigos.htm) sobre um outro aspecto da síndrome do dedinho podre, não violento fisicamente, mas igualmente arrasador: quando acreditamos que nunca teremos um relacionamento que dê certo, nenhum presta, ou pior, que não temos direito à felicidade, a uma relação plena, harmônica e feliz. Por que será que isso acontece com tanta gente?  Resolvi trazê-lo porque complementa muito bem o outro artigo, mostrando como nossa percepção inconsciente do mundo pode influenciar nossas escolhas e desacertos, inconscientemente.


ENTENDA COMO A RELAÇÃO DE SEUS PAIS PODE INFLUENCIAR SUA VIDA AFETIVA


Este relato mostra como acontecimentos de origem familiar influenciam nossa forma de pensar, agir e sentir e criam padrões de comportamento completamente distorcidos frente à realidade que nos cerca. Enfim, passamos a ter uma percepção errônea frente à vida e às pessoas.

Ana Luísa é uma mulher com pouco menos de 30 anos. Ela vem de uma família onde o relacionamento dos pais é bastante dependente, principalmente do pai em relação à mãe. Em função disso há muita intensidade, ciúme e agressividade.

No início de sua adolescência, recebeu uma notícia que foi o estopim de outros acontecimentos. Sua mãe havia traído seu pai e contado para ele. Diante disso, muitas brigas se sucederam entre eles, com ela estando presente em diversas delas. Ouviu diversas vezes seu pai dizer que sua mãe não prestava, entre outras coisas do gênero. No entanto, seu pai não saiu de casa, nem se separou de sua mãe e as brigas e ofensas se mantiveram por longos anos. Seu pai foi generalizando sua visão de que as mulheres não prestavam, sendo ela também atingida por isso, uma vez que ele começou a se referir a ela dessa maneira também. Quando ela saia com suas amigas para as “baladas” tão típicas de adolescentes, seu pai sugeria que ela estava indo “vagabundear”. Quando ela comentava sobre algum garoto ele logo tratava de questionar se ela já havia transado com ele.

Diante desse cenário, Luísa foi desenvolvendo seu autoconceito (autoimagem) de maneira distorcida, de modo a acreditar que não prestava, que era promíscua e que diante disso nunca conseguiria se manter em um relacionamento saudável e duradouro com uma boa pessoa, já que era “defeituosa”.

Passou a se ver como um “pedaço de carne” e acreditava que esse era seu único atrativo. Saia com roupas curtas e provocantes, pois para ela esse era o único modo de ser valorizada por alguém do sexo oposto (resignação à sua crença). Passou a conhecer garotos e relacionar-se com eles com base nessa sua crença sobre si mesma e como resultado tinha relacionamentos fugazes, de muita intensidade e voltados para a área física. Desse modo passou a sentir-se cada vez mais triste, pois não encontrava ninguém que realmente gostasse dela e a respeitasse e sua crença de que seu único valor era seu corpo e sua beleza era cada vez mais reforçado (profecia autorrealizável).

Ana foi crescendo e todos seus relacionamentos eram regados a muita paixão, atração sexual, ciúmes, joguinhos e brigas. Em parte deles a traição estava presente e ela começava a formar a ideia de que era assim que as coisas aconteciam na vida dela: que seus relacionamentos nunca davam certo e que ela não tinha boa índole (era defeituosa).

Um pouco mais velha, passou a se relacionar de maneira um pouco mais distante e fria; acreditava que “nunca poderia se entregar, já que nunca um relacionamento seu daria certo”. Passou a terminar todos seus casos, mesmo antes de saber do interesse da outra parte, evitando criar intimidade e adiantando-se a qualquer atitude de rejeição que poderia vir por parte do outro. Ela o rejeitava, mas no íntimo sentia-se rejeitada, somente fazia isso por acreditar que a qualquer momento o companheiro o faria.

Na tentativa de vivenciar um relacionamento um pouco mais saudável, pois havia percebido um padrão negativo, começou a se envolver com um rapaz que no início a tratava bem, dizia que queria ajudá-la a melhorar e ser uma pessoa melhor. Esse provinha de uma família ainda mais crítica do que a de Luísa e com altos padrões de comportamento e muita cobrança.  Ela contou ao namorado diversas situações pelas quais havia passado e que lhe trouxeram muito sofrimento e logo se viu em um relacionamento rodeado de ciúme, em que foi impedida de ter contato com outros homens, diante da justificativa de que ela não sabia se portar frente a eles e de diversas acusações às atitudes e comportamentos que tinha. 

Ana, por gostar muito do atual namorado, manteve-se nesse relacionamento por mais de três anos, entre términos e retomadas, onde passou a acreditar cada vez mais que que ela não era uma boa pessoa, não era confiável, que o relacionamento ia mal por sua causa e que não se esforçava por ser melhor (manutenção de seus esquemas - padrões de comportamento e crenças desaptativos). Após ter entrado em depressão, emagrecido diversos quilos e quase um ano nesse quadro de tumulto, ela finalmente conseguiu se afastar desse relacionamento disfuncional.

Ela conheceu a TCC e hoje adulta consegue enxergar muito do seu passado com outros olhos. Compreende que houve situações que ocorreram independentemente de sua vontade, como por exemplo, a traição entre seus pais, momentos de raiva de seu pai em que ele dizia que ela não prestava assim como sua mãe. No entanto, passou a perceber que alguns eventos eram construídos e/ou procurados por ela mesma, de maneira a provar algumas crenças (profecia autorrealizável) e também perpetuar alguns esquemas - padrões de comportamento. Alguns exemplos disso foram: envolver-se com homens ciumentos, esses diziam que ela não sabia portar-se (crença: “Tenho má índole”) ou ter comportamentos que afastavam os homens (crença: “Não sou capaz de estar e manter um relacionamento saudável, pois sou defeituosa”, por isso rejeito antes que seja rejeitada).

Atualmente, faz terapia e está mais consciente de suas cognições (pensamentos automáticos, crenças e esquemas), assim como de suas atitudes e comportamentos. A crença de não ser gostável (achar que nunca seria amada), os *esquemas de defectividade/vergonha, abandono/instabilidade e privação emocional são bastante conscientes para ela, assim como ela percebe que lhe é muito mais fácil voltar a comportar-se dentro de um padrão disfuncional (até porque este já é conhecido e já foi treinado e reforçado durante muito tempo), do que sair dele; no entanto por estar mais alerta a essas situações, pode, quando deseja, fazer com que as coisas ocorram de outra maneira, nova.

Atualmente está em um relacionamento estável e sério há pouco menos de um ano, com um jovem que realmente a ama, a compreende e busca apontar-lhe seus acertos e pontos positivos, ao invés de apontar seus déficts. Conversam muito de maneira honesta. Ana tem a chance de ter feedbacks do namorado sobre o que ele pensa e sente; assim ela pode comparar essas informações com os pensamentos automáticos que surgem. Em momentos de maior vulnerabilidade, ainda deprecia-se, mas está mais ciente disso e o namorado aponta para ela suas distorções em relação à percepção dos fatos.

Eles têm o desejo de casar-se e cada vez mais Ana Luísa tem a chance de colher evidências contra suas crenças: “Tenho má índole”;“Não consigo manter uma relacionamento saudável”;“Sou só um pedaço de carne”; “Não é possível alguém realmente me amar da maneira que sou”, etc.

Com sua disposição para mudar sua forma de pensar, sentir e agir, Ana admite que não é fácil se libertar de padrões de comportamentos arraigados, mas consegue a cada dia enxergar isso como algo cada vez mais possível.

* esquemas de defectividade: padrão de comportamento de achar que está em débito

Obs: o nome da personagem deste texto é fictício, mas os fatos são reais.

por Thaís Petroff
Psicóloga e Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental - site Vya Estelar
http://thaispetroff.wordpress.com

Como podemos ver, Ana Luisa precisou olhar para dentro de si para reconhecer o padrão negativo em que estava mergulhada e que sempre a fazia atrair parceiros que não a valorizavam e não a respeitavam como ser humano, individualidade, por que ela mesma se achava indigna de ser amada, se desvalorizando dia após dia, relacionamento após relacionamento. Mesmo assim, precisou de ajuda para reverter esse quadro e se achar apta novamente a ser feliz. Está no processo de autodescobrimento, de desenvolvimento de seu amor próprio, que é o único caminho para curar feridas de autoestima deficiente, e por conta desse remédio já está podendo vivenciar uma relação saudável com alguém que a ama e respeita, porque esse agora é o modelo que ela tem de si mesma. O mundo é um espelho de nós mesmos.  Mas este é apenas um dos aspectos que podem estar por trás de uma vida afetiva cheia de problemas.

Em casos de rejeição, traumas, culpa, baixo amor próprio e crenças limitantes como as de Ana Luisa, o programa de desenvolvimento da Inteligência Emocional Buscando Soluções pode ser de enorme utilidade, porque através das terapias associadas podemos descobrir e limpar todas as memórias, crenças e sentimentos negativos envolvidos no processo de forma muito agilizada (se comparada a um período de terapia convencional), suave e indolor, porém profunda como um processo cirúrgico, instalando ao mesmo tempo padrões saudáveis de pensamento e emoções, trazendo alívio, alegria e paz, favorecendo assim a atração de parceiros emocionalmente saudáveis e relacionamentos harmoniosos e satisfatórios. Para saber mais, clique aqui.


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