terça-feira

Pedidos Viáveis e Inviáveis



Admirei-me da quantidade. Peguei alguns que estavam como viáveis. Eram pedidos para largar de fumar, para aceitar o filho que não conseguira amar. Ali estavam também anotadas sugestões para os socorristas. A ficha da mãe, pedindo à Nossa Senhora que a ajudasse a amar o filho, foi analisada, e viram que mãe e filho foram inimigos no passado e que, nesta encarnação, estavam juntos para se reconciliar. A ajuda consistia em conversar com ela, enquanto o corpo dormia, e fazê-la entender a necessidade de aceitar o filho. Envolvê-la em pensamentos diários durante seis meses, incentivando-a ao perdão e ao carinho. Dependerá de que ela aceite as orientações.

Já outra senhora queria ajuda, porque se sentia mal, com falta de ar. A seu lado estava um desencarnado a vampirizá-la.  Os socorristas fizeram-se visíveis a ele, conversaram e o convenceram a ir para um Posto de Socorro.

Pede-se muito, e a pilha de solicitações inviáveis era grande. Peguei algumas para ler. Numa delas, uma senhora rogava às almas do purgatório ajuda para que o marido não descobrisse que ela o traíra; rezaria três terços no cemitério. Em outra, um rapaz pedia a Santo Antônio que o ajudasse a se casar com uma moça rica e bonita; iria à missa uma vez por mês durante toda a vida. Certa moça suplicava à Virgem Maria que a livrasse de estar grávida, era solteira. Alguns, inviáveis, eram insistentes com pedidos a vários santos de uma vez e com promessas incríveis. O orientador do Departamento gentilmente nos esclareceu:

- Respeitamos todas as formas de crenças e todos os pedidos. Se aqui chegaram é porque foram feitos com fé, embora saibamos que muitos não têm base em fé raciocinada. Respeitamos mesmo os pedidos para encobrir erros, como este que pede à Nossa Senhora Aparecida proteção para não ser preso enquanto rouba. Nele, há mais ignorância do que maldade.

Marcela leu alto as palavras de um traficante que pedia proteção para não ser descoberto e preso. Prometia dar uma grande quantia em esmolas para os pobres. O orientador elucidou-nos:

- Todas as vezes que esse solicitante está para receber um carregamento de tóxicos, faz promessa semelhante. Não o ajudamos, não podemos auxiliá-lo como deseja, e os acontecimentos ficam à revelia. Há algum tempo promete e, porque não foi preso, paga a promessa. Já tentamos ajudá-lo, incentivando-o a mudar a forma de viver, a deixar de traficar. Mas, infelizmente, não é isso que quer, pois gosta do que faz.

Após analisar tudo, saímos com um grupo de socorristas que ia atender algumas solicitações. O primeiro caso era o de um senhor, no hospital, que tinha câncer em estado adiantado. Não obteria a cura do corpo, seu pedido não seria atendido, mas o auxiliariam de outra forma. Os socorristas iriam assisti-lo e incentivá-lo a ter bons pensamentos e a resignar-se, visitando-o todos os dias, até que desencarnasse. Sentiu ele nossa presença e recebeu os fluidos doados, ficou calmo e adormeceu.

Uma outra súplica nos comoveu. Uma menina de oito anos, órfã de mãe, desejava a genitora de volta. O pedido era inviável, mas não a ajuda. Os socorristas também iriam, por um determinado tempo, visitá-la todos os dias, consolando-a e ajudando-a a aceitar a desencarnação da mãe.

- Como é feita a ajuda de pedidos que envolvem tempo, como a de um senhor que pediu proteção ao neto que acabava de nascer?

- Isto é inviável - respondeu Frederico -  O recém-nascido não terá proteção especial por causa da solicitação. Ajuda, em todos os momentos, todos nós temos. Mas um pedido de outra senhora que reza a vida toda para ter uma boa morte, ou desencarnação, aí sim, quando chegar a hora, terá assistência. Se for boa, terá um socorro mais profundo, se não, só assistência para desligá-la e lhe dar as primeiras orientações.

- Uma senhora pediu com fé a Nossa Senhora que ajudasse o esposo desencarnado. Como é feita a ajuda? - Indagou Rosália.

- Os socorristas podem pesquisar e saber onde o esposo está. Se está bem, nada será feito. Se está sofrendo, analisam o caso. Pode ser que não queira ajuda no momento, assim, não será auxiliado, e o pedido não poderá ser atendido. Mas, se sofre e quer o socorro, receberá ajuda.

Pede-se muito para chover ou não chover. São todos inviáveis. Impressionei-me com uma senhora que rogava para morrer, para desencarnar. A solicitação é inviável, mas ela receberá ajuda. Vão incentivá-la a querer viver encarnada, vão tentar que alguém, encarnado, converse com ela e a ajude. Não desencarnará fora de hora. Não se pode ajudar ninguém a desencarnar assim.

- Num caso de perigo, o pedido passa pelo Departamento? - Perguntou Cida.

- Não, os bons espíritos que estão por perto tentam ajudar no que for possível.

- E se não houver ninguém por perto? - Cida perguntou novamente.

- As palavras ficam no ar, e podem ser captadas pelos espíritos bons num raio de quilômetros. Pode o pedido ir ao Departamento em questão de segundos e o pessoal de lá avisar uma equipe que esteja trabalhando na Terra. Volitando rápido, o socorro acontece imediatamente.

Trechos extraídos do livro Vivendo No Mundo Dos Espíritos, romance do espírito Patrícia  (psicografado por Vera Lucia Marinzeck de Carvalho - Editora Petit)



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